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PF desvenda elo financeiro entre Careca do INSS e ex-assessor de Weverton

Sem catagoria

A Polícia Federal (PF) revelou uma intrincada rede de conexões financeiras e operacionais envolvendo Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um lobista central em um esquema de fraudes. Mensagens obtidas pela corporação apontam para uma “encomenda” de R$ 40 mil entregue a Gaspar por Rubens Oliveira Costa, identificado pela PF como “carregador de mala” de Antunes. Esta revelação aprofunda as investigações da Operação Sem Desconto, que apura um complexo esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, colocando em xeque a integridade de figuras públicas e seus círculos de relacionamento próximos. Os detalhes das operações financeiras e as interações reforçam a tese de uma colaboração sistemática e articulada.

A rede de conexões financeiras e operacionais

A “encomenda” de R$ 40 mil e a proximidade suspeita

A investigação da Polícia Federal detalha uma série de eventos que demonstram a proximidade incomum entre Gustavo Marques Gaspar e Rubens Oliveira Costa, o suposto “carregador de mala” do “Careca do INSS”. Em um dos episódios mais emblemáticos, mensagens interceptadas pela PF indicam que Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, instruiu Rubens a enviar “30 impressões” para Gaspar. Segundo a interpretação da corporação, a expressão “impressões” era um código para se referir a valores em dinheiro, representando R$ 30 mil. No entanto, o montante sacado por Rubens foi ainda maior: R$ 40 mil em dinheiro vivo, retirados de uma agência do BRB.

Após o saque, Rubens Oliveira Costa questionou Gustavo Gaspar sobre a forma de entrega da “encomenda”, perguntando se ele mesmo a buscaria. O ex-assessor de Weverton Rocha confirmou o encontro, marcando um horário específico para a retirada do dinheiro, às 17h. A PF destaca que essa interação não foi um evento isolado, mas parte de uma relação de grande confiança e cooperação.

A extensão dessa proximidade é evidenciada por outros arranjos. Gustavo Gaspar teria solicitado a Rubens Oliveira Costa que assinasse um contrato de aluguel de imóvel em nome dele e de sua esposa, Michelle Ribeiro Araújo. Além disso, o ex-assessor concedeu uma procuração a Rubens, conferindo-lhe poderes para movimentar e sacar valores das contas de uma de suas empresas, a GM Gestão Ltda. Essa delegação de autoridade financeira a uma pessoa apontada como intermediário do lobista “Careca do INSS” é um dos pontos cruciais da investigação, sugerindo uma teia de interesses e facilitando possíveis operações irregulares. A Polícia Federal considera que tais atos reforçam a tese de que Gustavo Gaspar era um integrante ativo e consciente das atividades do grupo criminoso, contribuindo para a lavagem de capitais e ocultação patrimonial.

Indícios de ocultação de bens e lavagem de capitais

A investigação da Polícia Federal também desvendou indícios robustos de que Gustavo Marques Gaspar estaria envolvido em operações para ocultar bens e lavar dinheiro, sempre com elos diretos com Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Um disco rígido apreendido na residência do lobista, em abril, revelou planilhas detalhadas de controle de movimentação financeira de associações e empresas ligadas a ele, além de registros de pagamentos a pessoas físicas e jurídicas. Entre esses registros, a PF identificou um pagamento de propina no valor de R$ 100 mil destinado a “Gasparzinho”, termo que a corporação sugere ser um disfarce para o nome de Gustavo Gaspar. Essa menção em documentos internos do suposto esquema criminoso reforça a ligação financeira entre os dois e a natureza possivelmente ilícita das transações.

Outro ponto levantado pela PF concerne à preocupação com a regularização e ocultação de bens. Mensagens trocadas em junho de 2025 mostram “Careca do INSS” cobrando Gustavo Gaspar sobre a transferência de um veículo e expressando receio, chegando a escrever: “Cara isso ainda vai dar problema”. Essa preocupação, segundo a polícia, materializou-se posteriormente com a repercussão midiática do caso. A corporação interpreta essa cobrança como um esforço para ocultar a origem ilícita dos bens ou a conexão entre os envolvidos.

Complementando esses achados, documentos revelam que o “Careca do INSS” teria ordenado a venda de um carro de R$ 125 mil que estava em nome de Gustavo Gaspar. Além disso, um Passat preto, igualmente registrado em nome do ex-assessor, foi fotografado estacionado em um prédio em São Paulo que abriga a BSB Consulting, uma das empresas controladas pelo lobista. Essas evidências visuais e documentais sugerem que Gustavo Gaspar não apenas recebia valores ilícitos, mas também agia como um elo na movimentação e ocultação de bens adquiridos por meio do esquema, consolidando a visão da PF de que ele era um componente essencial na estrutura de lavagem de capitais e articulação política do grupo.

As complexas relações com o senador Weverton Rocha

Propriedade e articulação política em foco

A Operação Sem Desconto não se limita aos elos entre Gustavo Marques Gaspar e o “Careca do INSS”, mas se estende para investigar as complexas relações e possíveis benefícios indiretos envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA), ex-líder do governo Lula no Senado. A Polícia Federal aponta uma série de conexões que sugerem uma proximidade preocupante entre o parlamentar e o lobista, extrapolando o mero conhecimento.

Uma das evidências levantadas é o compartilhamento do uso de uma aeronave. O senador Weverton Rocha foi flagrado em ao menos dois voos utilizando um jatinho de propriedade de um advogado que, coincidentemente, atua na defesa do “Careca do INSS” perante o Supremo Tribunal Federal (STF). O uso comum de um meio de transporte de alto custo, ligado diretamente à defesa do lobista, levanta questionamentos sobre a natureza da relação entre as partes e a existência de favores ou contrapartidas.

A investigação também foca em uma notável multiplicação patrimonial do senador. Weverton Rocha teria adquirido uma fazenda em Matões do Norte (MA) por R$ 15 milhões, um valor que, segundo a PF, corresponde ao triplo do patrimônio declarado por ele nas eleições de 2022. A rapidez com que uma pista de pouso foi construída na propriedade logo após a compra é outro ponto que chamou a atenção dos investigadores. Essa transação ocorreu por meio da DJ Agropecuária, uma empresa familiar de Weverton, administrada por Rodrigo Martins Correa. O detalhe crucial é que Correa era, à época, o contador responsável pelas empresas do próprio “Careca do INSS”, ligando diretamente a gestão patrimonial do senador ao núcleo do esquema investigado.

Adicionalmente, registros de portaria do Ministério da Previdência Social (MPS) revelam um encontro não oficial. O “Careca do INSS” e Gustavo Gaspar estiveram juntos no gabinete de Adroaldo Portal (PDT), que era secretário-executivo da pasta e foi recentemente exonerado e se encontra em prisão domiciliar após ser alvo da PF. A reunião com o ex-número dois do ministério foi omitida da agenda oficial, configurando um “lobby secreto” que indica a busca por influência e facilitação de interesses sem a devida transparência, possivelmente relacionados ao esquema de fraudes no INSS. Esses elementos, somados, pintam um quadro de articulação política e financeira que a PF busca desvendar em sua totalidade.

Desdobramentos da Operação Sem Desconto

A Operação Sem Desconto, que investiga um vultoso esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, entrou em uma nova e intensa fase, gerando desdobramentos significativos para as figuras públicas e empresariais envolvidas. Na mais recente etapa da operação, a Polícia Federal solicitou a prisão do senador Weverton Rocha, dada a profundidade das conexões e evidências levantadas. Contudo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contrária ao pedido de prisão, e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou apenas o cumprimento de um mandado de busca e apreensão nos endereços ligados ao parlamentar, permitindo a coleta de mais provas sem privar o senador de sua liberdade imediata.

No entanto, a operação não poupou outros alvos de medidas mais severas. Entre os presos preventivamente nesta fase, destacam-se Romeu Carvalho Antunes, filho de Antonio Carlos Camilo Antunes (o “Careca do INSS”), e Adroaldo Portal, ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Social (MPS), que já havia sido exonerado e agora cumpre prisão domiciliar. A prisão de figuras tão próximas ao centro do esquema demonstra a determinação da PF em desmantelar a rede criminosa em seus diferentes níveis.

A Operação Sem Desconto é de grande envergadura, abrangendo diversas medidas cautelares em múltiplos estados brasileiros. Foram cumpridos um total de 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva. As ações ocorreram em endereços localizados em São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais, Maranhão e Distrito Federal. Essa ampla cobertura geográfica e o número de mandados executados sublinham a dimensão nacional do esquema investigado, que teria causado prejuízos consideráveis aos cofres públicos e, principalmente, aos segurados do INSS, com descontos indevidos em seus benefícios. A PF continua a análise do material apreendido, buscando consolidar as provas e identificar todos os envolvidos e a extensão de suas participações.

Perspectivas e o futuro da investigação

As revelações da Polícia Federal sobre a “encomenda” de R$ 40 mil para Gustavo Marques Gaspar e as amplas conexões com o “Careca do INSS” e o senador Weverton Rocha pintam um quadro de profunda imbricação entre interesses privados e a esfera pública. A Operação Sem Desconto demonstra a persistência das autoridades em desvendar esquemas de corrupção que afetam diretamente o sistema previdenciário e a confiança nas instituições. A complexidade das relações financeiras, a ocultação de bens e as articulações políticas não oficiais indicam um modus operandi sofisticado, que exige uma investigação minuciosa e contínua. Os desdobramentos futuros, incluindo a análise das provas apreendidas e os depoimentos dos envolvidos, serão cruciais para determinar a extensão das responsabilidades e garantir que os responsáveis sejam devidamente processados. A sociedade aguarda que a Operação Sem Desconto cumpra seu objetivo de promover a transparência e a justiça.

FAQ

Quem é o “Careca do INSS” e qual a sua relação com Gustavo Marques Gaspar?
O “Careca do INSS” é Antonio Carlos Camilo Antunes, apontado pela Polícia Federal como um lobista central em um esquema de fraudes contra o INSS. Ele é investigado por ter ligações financeiras e operacionais com Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha. A relação é marcada por transações de dinheiro, procurações e supostas ocultações de bens.

Quais são as principais acusações contra Gustavo Marques Gaspar?
Gustavo Marques Gaspar é acusado de receber valores em dinheiro, como a “encomenda” de R$ 40 mil e uma suposta propina de R$ 100 mil (“Gasparzinho”), de intermediários do “Careca do INSS”. Ele também é investigado por permitir o uso de seu nome para contratos de aluguel e procurações financeiras, além de estar envolvido na ocultação de bens, como veículos, todos elementos que a PF interpreta como participação ativa em lavagem de capitais e articulação do esquema criminoso.

Qual o papel do senador Weverton Rocha nesta investigação?
O senador Weverton Rocha é alvo de investigação na Operação Sem Desconto. Embora não tenha sido preso, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em seus endereços. As investigações indicam que seu ex-assessor Gustavo Gaspar tem ligações diretas com o “Careca do INSS”, e o senador é investigado por possíveis benefícios indiretos, como o uso de jatinho ligado ao lobista, a multiplicação patrimonial de uma fazenda administrada por um contador do “Careca do INSS”, e a participação de seu ex-secretário-executivo em um “lobby secreto”.

O que é a Operação Sem Desconto?
A Operação Sem Desconto é uma investigação da Polícia Federal que apura um esquema nacional de fraudes envolvendo descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. A operação busca desmantelar uma rede criminosa que, por meio de lobistas e articulações políticas, manipulava o sistema previdenciário para obter vantagens indevidas, causando prejuízos aos cofres públicos e aos segurados.

Para se manter informado sobre os desdobramentos desta e de outras investigações que buscam combater a corrupção e garantir a integridade das instituições públicas, acompanhe as notícias em nosso portal.

Fonte: https://www.metropoles.com