Mulheres negras marcham em Brasília por reparação e bem-viver

Direitos Humanos

Caravanas de todo o Brasil convergiram para Brasília nesta terça-feira, dia 25, para participar da 2ª Marcha das Mulheres Negras, um evento de grande magnitude que busca colocar em evidência as demandas e aspirações de mais de 60 milhões de brasileiras. Com o tema central “Por Reparação e Bem Viver,” a marcha visa não apenas garantir direitos básicos como moradia, emprego e segurança, mas também promover uma vida digna e livre de violência para as mulheres negras, além de buscar ações concretas de reparação histórica. A expectativa dos organizadores é reunir cerca de um milhão de pessoas na Esplanada dos Ministérios, consolidando este evento como um marco na luta pelos direitos e pela igualdade racial no país.

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A Relevância Histórica e Contemporânea da Marcha

A 2ª Marcha das Mulheres Negras surge como um importante desdobramento da primeira edição, realizada em 2015, que já havia reunido mais de 100 mil mulheres negras em Brasília. O evento deste ano, que ocorre no mês da Consciência Negra, busca dar continuidade à luta contra o racismo, a violência contra a juventude negra, a violência doméstica e o feminicídio, que afetam desproporcionalmente essa população. Além disso, a marcha tem como objetivo promover a mobilidade social e econômica das mulheres negras, buscando superar os obstáculos impostos pelos séculos de escravidão e desigualdade.

Programação e Atividades

A programação da 2ª Marcha das Mulheres Negras teve início às 9h, com concentração no Museu da República, em Brasília. O evento contou com diversas atividades, como rodas de capoeira e cortejos de berimbaus, celebrando a cultura afro-brasileira. Paralelamente, o Congresso Nacional realizou uma sessão solene em homenagem à marcha, no plenário da Câmara dos Deputados. A marcha propriamente dita teve início por volta das 11h, percorrendo a Esplanada dos Ministérios em direção ao gramado do Congresso Nacional. O evento também contou com apresentações musicais de artistas engajadas com as pautas da negritude, do antirracismo e do feminismo, como Larissa Luz, Luanna Hansen, Ebony, Prethaís, Célia Sampaio e Núbia, proporcionando momentos de celebração e reflexão.

Articulação Global e Legado de Lélia Gonzalez

A Marcha das Mulheres Negras transcende as fronteiras do Brasil, buscando fortalecer a articulação global das mulheres negras em diáspora e no continente africano. Lideranças negras de diversos países, como o Equador, participaram do evento em Brasília, com o objetivo de aprofundar e visibilizar as lutas das mulheres afrolatinas, afrocaribenhas e da diáspora. A marcha também homenageou o legado da antropóloga Lélia Gonzalez, uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado e referência nos estudos de gênero, raça e classe no Brasil e na América Latina. A neta de Lélia Gonzalez, Melina de Lima, esteve presente no evento, representando o Instituto Memorial Lélia Gonzalez e o projeto Lélia Gonzalez Vive, que buscam preservar e difundir o pensamento da antropóloga.

A Força da Representatividade

As mulheres negras representam a maior parcela da população brasileira, somando mais de 60 milhões de pessoas. A 2ª Marcha das Mulheres Negras é, portanto, um evento de grande importância para o país, buscando dar voz e visibilidade a essas mulheres, que historicamente foram marginalizadas e silenciadas. A marcha representa um momento de luta, resistência e celebração, reafirmando a importância da igualdade racial e de gênero para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

Conclusão

A 2ª Marcha das Mulheres Negras em Brasília representa um marco na luta por reparação histórica e bem-viver para a população negra brasileira. Ao reunir milhares de mulheres de todo o país e do exterior, o evento fortalece a articulação global contra o racismo e o patriarcado, ao mesmo tempo em que celebra a cultura e a identidade afro-brasileira. A marcha é um chamado à ação, incentivando a sociedade a repensar suas estruturas e a construir um futuro mais justo e igualitário para todos.

FAQ

1. Qual o principal objetivo da Marcha das Mulheres Negras?

O principal objetivo é promover a reparação histórica e garantir o bem-viver para as mulheres negras, abordando questões como moradia, emprego, segurança, e combatendo a violência e o racismo.

2. Quem são as mulheres negras no Brasil?

De acordo com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), elas somam 60,6 milhões de pessoas, divididas entre pretas (11,30 milhões) e pardas (49,30 milhões), correspondendo a cerca de 28% da população geral do país.

3. Qual a importância da articulação global na Marcha das Mulheres Negras?

A articulação global é fundamental para fortalecer a luta contra o racismo, o colonialismo e o patriarcado, unindo mulheres negras em diáspora e no continente africano em prol de um futuro livre de violência e desigualdade.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br