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Estados Unidos intensificam deportações de latinos: 200 mil em dez meses

Sem catagoria

O despertar de Leonel Chávez é marcado pela dura realidade de estar distante de sua família, após ser deportado para Puebla, no México. A lembrança de sua captura por agentes de imigração a caminho do trabalho em Connecticut é um pesadelo constante. Sua história, lamentavelmente, reflete uma tendência alarmante. Nos primeiros dez meses de um recente mandato presidencial, os Estados Unidos testemunharam a deportação de latino-americanos em números que atingiram pelo menos 200 mil pessoas. Essa cifra representa uma escalada drástica na política migratória, transformando a promessa de “deportação em massa” em uma realidade implacável para milhares de famílias. A ofensiva, que se estende por todo o país, gera consequências profundas, afetando desde a vida pessoal dos indivíduos até setores econômicos vitais.

A nova era de deportações e seu impacto humano

O drama de Leonel Chávez

Leonel Chávez vivia em Norfolk, Connecticut, com sua esposa e três filhos, todos nascidos em solo americano. Em meados de agosto, enquanto se dirigia ao trabalho na construção civil com seu irmão Ricardo, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) os interceptaram. Um vídeo gravado pelo próprio Chávez mostra os oficiais o segurando pelo braço dentro de seu caminhão, enquanto ele repetidamente questiona o motivo da abordagem e exige ver um mandado de prisão. Poucos dias depois, ele estava de volta ao México, sentindo-se “vazio, arrasado”. As autoridades norte-americanas confirmaram a deportação, descrevendo Chávez como um indivíduo sem documentos e com histórico criminal, o que Chávez admite serem “condenações menores” da adolescência. Sua filha lamenta que uma pessoa que trabalhou incansavelmente para sustentar sua família, mesmo sem documentos, pagando impostos e buscando prosperidade, seja tratada de tal forma.

A máquina de retirada acelerada

Desde o início de um novo mandato presidencial em janeiro de 2025, a promessa de “deportação em massa” se materializou em uma operação de retirada acelerada de imigrantes. As detenções ocorrem em diversos locais: desde ambientes de trabalho e estacionamentos, passando por áreas residenciais, até os arredores de tribunais de imigração. Essa política expandiu seu alcance, não afetando apenas aqueles que cruzaram a fronteira ilegalmente, mas também imigrantes que vivem há anos no país, atingindo comunidades inteiras. Em cidades como Los Angeles, as medidas foram intensificadas com o envio da Guarda Nacional, gerando indignação e protestos por parte de defensores dos direitos dos imigrantes e das comunidades locais impactadas.

Números alarmantes e perfis dos deportados

Comparativo com o governo anterior

Os números de deportações revelam uma mudança drástica na política de imigração dos Estados Unidos. Nos primeiros dez meses do governo anterior, entre janeiro e outubro de 2021, foram registradas 34.293 deportações de latino-americanos. No entanto, no mesmo período do segundo mandato do presidente atual, iniciado em janeiro de 2025, as deportações dispararam, atingindo pelo menos 200 mil pessoas. Esse aumento é avassalador: o número sob a administração atual é quase seis vezes superior ao registrado no mesmo período do governo anterior. Isso significa um salto de aproximadamente 470% nas deportações desde que a atual administração retornou à Casa Branca. É importante notar que dados de alguns países da América Latina não foram obtidos, sugerindo que o número total de deportados pode ser ainda maior.

As nações mais afetadas

A comunidade latina nos Estados Unidos é vasta, somando mais de 68 milhões de pessoas em 2024, uma população que só é superada pelo Brasil e México em toda a América Latina. Historicamente, os mexicanos representam o maior grupo hispânico, totalizando 38,9 milhões em 2024. O México também é o país latino-americano com o maior número de cidadãos deportados nesta nova onda, somando mais de 100 mil pessoas, o que equivale a 53% de todas as deportações de latinos dos EUA. Em seguida, aparecem Guatemala (15%) e Honduras (13%), nações marcadas por violência endêmica, pobreza e escassez de oportunidades.

Comunidades de países sul-americanos como Colômbia, Equador e, notavelmente, Venezuela – cuja crise econômica e humanitária forçou milhões a fugir – também ultrapassam um milhão de pessoas nos Estados Unidos e estão entre as que mais registraram deportados nos últimos meses. Em contrapartida, Chile e Costa Rica registraram menos de 400 deportações somadas, refletindo suas menores comunidades no país, com estimativas de cerca de 227 mil chilenos e 220 mil costa-riquenhos vivendo nos EUA em 2024.

Estratégias de fiscalização e suas consequências econômicas

Enquanto uma administração anterior se concentrava em conter a entrada ilegal pela fronteira sul e gerenciar rotas de asilo, a estratégia da atual presidência é diferente. O foco está em uma ofensiva dentro do país, com operações intensificadas em locais de trabalho, estacionamentos, bairros e até fora de tribunais de imigração. Além disso, o governo revisa green cards, elimina programas de proteção temporária e limita vistos de trabalho, expandindo o impacto para comunidades inteiras e não apenas para aqueles que cruzaram a fronteira recentemente. O Departamento de Segurança Interna informa que, desde o início do segundo mandato, mais de meio milhão de imigrantes sem documentos foram deportados, incluindo aqueles barrados nos portos de entrada e os detidos dentro do país.

As deportações cobram um alto preço em setores vitais da economia. Imigrantes sem documentos representam entre 4% e 5% da força de trabalho total do país, mas sua participação é muito mais significativa em indústrias como agricultura, transformação alimentar e construção, onde chegam a constituir 20% ou mais dos trabalhadores. O Departamento de Agricultura estima que 42% dos trabalhadores agrícolas contratados não possuem autorização para trabalhar. Desde abril, 1,4 milhão de pessoas deixaram a força de trabalho dos EUA, incluindo 802 mil nascidos no exterior. No condado de Wasco, Oregon, um agricultor estimou uma perda entre 250 mil e 300 mil dólares durante a temporada de verão, pois metade de seus trabalhadores não compareceu por medo de serem presos, deixando cerejas apodrecendo nas árvores.

Conclusão

A política de imigração da atual administração dos Estados Unidos representa uma guinada significativa, com um aumento sem precedentes nas deportações de latino-americanos. A história de Leonel Chávez é um testemunho pungente do impacto humano dessas ações, que desmembram famílias e semeiam incerteza. Os números alarmantes, que mostram um salto de quase 470% em relação ao período anterior, evidenciam uma “máquina de retirada acelerada” que opera em todo o território nacional. As consequências se estendem além das vidas individuais, afetando gravemente setores econômicos cruciais, como a agricultura, que depende amplamente da mão de obra imigrante. O futuro dessas comunidades e o destino de milhares de famílias permanecem em aberto, em um cenário de políticas migratórias cada vez mais restritivas.

FAQ

Quantas deportações de latino-americanos foram registradas nos primeiros meses do atual governo dos EUA?
Nos primeiros dez meses do atual governo, pelo menos 200 mil latino-americanos foram deportados dos Estados Unidos.

Quais países da América Latina foram mais afetados pelas deportações?
O México foi o país mais afetado, com mais de 100 mil cidadãos deportados (53% do total), seguido por Guatemala (15%) e Honduras (13%). Comunidades de países sul-americanos como Colômbia, Equador e Venezuela também registraram números significativos.

Qual o impacto econômico das deportações na agricultura dos EUA?
As deportações têm um impacto econômico severo, especialmente na agricultura, onde estima-se que 42% dos trabalhadores contratados não têm autorização. A ausência de trabalhadores por medo de detenção causa perdas financeiras substanciais para agricultores, como o exemplo de um produtor em Oregon que perdeu centenas de milhares de dólares por falta de mão de obra.

Mantenha-se informado sobre as políticas migratórias e seus impactos globais para compreender melhor este cenário complexo.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br